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O futuro da Educação Superior
Publicado, Linha Direta Digital Sexta, 17 de Maio de 2019
Perspectivas para instituições privadas no cenário brasileiro

O Brasil tem o que comemorar no que diz respeito à melhoria nos indicadores sociais, bem como no acesso à educação. Mas essas mudanças, especialmente no Ensino Superior, foram resultado de uma transformação nas políticas públicas: nos anos 2000, políticas sociais importantes foram postas em prática para ampliar o acesso à Educação Superior no País, especialmente com o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Hoje, os tempos são outros, e o cenário da educação brasileira é uma grande incógnita. As crises econômica e política, provocadas principalmente pela conjuntura externa, o excesso nos gastos públicos e a perda de confiança na economia brasileira afetam todo o Estado, gerando cortes orçamentários em várias áreas, como ocorreu no Fies, tirando a oportunidade de milhões de estudantes ingressarem no Ensino Superior.

Mas, ao mesmo tempo, tivemos conquistas. Contabiliza-se, por exemplo, a aprovação e publicação do Plano Nacional de Educação (PNE), para o decênio 2014-2024, que virou a Lei n. 13.005, em 25 de junho de 2014. O avanço das tecnologias também facilita o cotidiano da sociedade e não deixa de fora o setor educacional, abrindo portas para o aprimoramento de novas ferramentas de ensino-aprendizagem.

A realidade brasileira ainda apresenta imensos desafios nessa direção, inclusive o de corrigir as grandes defasagens e diferenças sociais. Para traçar uma perspectiva da Educação Superior no País, a Linha Direta conversou com o fundador do Grupo Ser Educacional, Janguiê Diniz, mestre e doutor em Direito e reitor do Centro Universitário Maurício de Nassau. Confira!

É natural que a educação esteja aliada cada vez mais à tecnologia. Mas esse campo será restrito somente aos aplicativos, dispositivos e ferramentas digitais?

Atualmente, a internet é a maior fonte de pesquisas para todos. Da mesma forma que facilita, pode levar os estudantes ao comodismo. Novas ferramentas tecnológicas têm potencial para promover a equidade e qualidade na educação, além de aproximar a escola do universo do aluno. Por um lado, a tecnologia facilita o acompanhamento individual do aluno e abre espaço para a personalização do ensino. Por outro, ela ajuda a escalar novas oportunidades de aprendizagem. As tendências para o uso de tecnologia na educação apontam para a convergência de dispositivos eletrônicos portáteis que ampliam as oportunidades de aprendizagem dentro e fora de sala de aula e geram dados sobre esses processos e as pessoas envolvidas neles.

No que tange ao conteúdo, quais as mudanças necessárias para o trato e a disponibilidade das informações?

Uma vez que vivemos em uma sociedade cada vez mais informada e informatizada, o primeiro e mais importante detalhe está na acessibilidade à tecnologia. É preciso que computadores, tablets e internet estejam disponíveis e acessíveis a todos.

O Ensino a Distância (EaD) pode ter o mesmo valor dos cursos presenciais? Quais as tendências para essa ferramenta de ensino?

O Ensino a Distância é uma tendência mundial. Hoje, as pessoas têm cada vez menos tempo. A flexibilidade de local e horário que o estudo via EaD oferece beneficia esse público. Além disso, a Educação a Distância possibilita interações com pessoas, formações e culturas de outros tempos e localidades, e se apresenta como forma de potencializar os momentos presenciais, que são importantes e devem permanecer. Acredito que a tendência do EaD no Brasil é a de se expandir. Cada vez mais, as pessoas estão se conscientizando de que é importante aproveitar as oportunidades e se capacitar, tornando-se cada vez mais preparadas para um mercado altamente competitivo, que exige conhecimento, desenvoltura e habilidade. Somente assim será possível se diferenciar diante da concorrência.

Com relação às habilidades dos alunos, exigidas pelo mercado de trabalho. As experiências além das grades curriculares ganharão destaque no currículo acadêmico?

Para um profissional ser considerado completo, experiência e formação devem caminhar juntas. Uma coisa é fato: formação não substitui experiência, e só a experiência, em certo momento profissional, não será suficiente. O mercado tem sido exigente nos dois aspectos. As vagas disponíveis provam isso, sempre exigindo conhecimentos e formação específica para cada vaga. Ainda que a formação superior não seja um diferencial para os profissionais da atualidade, independentemente de seu tempo de experiência, a falta dela pode provocar a estagnação em determinado momento da carreira. Afinal, a base teórica e os trabalhos acadêmicos podem e devem ser aplicados à vida empresarial, ao passo que as dúvidas da vida corporativa podem e devem ser trazidas para a vida acadêmica, para que uma complete a outra. Ou seja, muitas vezes o ambiente corporativo supre algumas deficiências acadêmicas, reforçando conceitos distintos e propiciando a aprendizagem com outros profissionais de maior gabarito. E vice-versa.

E qual será o papel do professor diante das transformações no sistema educacional?

A interação professor-aluno vem se tornando muito mais dinâmica nos últimos anos. O professor tem deixado de ser um mero transmissor de conhecimentos para ser mais um orientador, um estimulador de todos os processos que levam os alunos a construir conceitos, valores, atitudes e habilidades que lhes permitam crescer como pessoas, como cidadãos e futuros trabalhadores, desempenhando uma influência verdadeiramente construtiva. A educação deve não apenas formar trabalhadores para as exigências do mercado de trabalho, mas cidadãos críticos, capazes de transformar um mercado de exploração em um mercado que valorize um item cada vez mais importante: o conhecimento.

Quais as tendências no que diz respeito à gestão (financeira, administrativa, de pessoal etc.) das IES privadas para os próximos anos?

Infelizmente, a grande maioria das instituições é pequena e não possui fluxo de caixa para aguentar um período longo de recessão. Então, há uma tendência natural de enxugar quadros e reduzir custos para que consigam se manter.

A melhoria da qualidade e da produtividade do ensino são aspectos importantes na gestão das IES privadas. Como lidar com esses parâmetros quando existe uma linha tênue na educação no que diz respeito aos conceitos de bem público e de mercadoria?

Qualidade hoje é commodity. Todos têm que ter. Quem não tiver o mínimo da qualidade exigida pelo MEC, pela sociedade e pelas empresas está fadado a desaparecer. Logo, qualidade é inerente a todas as instituições de ensino, públicas ou particulares. Agora, para sobreviver, as IES podem ter menos ou mais qualidade, pois o nível de qualidade ofertado será um diferencial institucional. Para tanto, mister se faz ter um quadro de docentes com título de mestre e doutor, investir em infraestrutura e tecnologia de última geração, além de ofertar ao alunado serviços que facilitem a vida e que possam auxiliar no exercício da teoria aprendida dentro e fora da sala de aula. Dos 100% das matrículas no Ensino Superior no Brasil, as IES particulares são responsáveis por 75%. Mesmo assim, o Brasil ainda tem aproximadamente 17% da população com idade universitária [18 a 24 anos] nesse nível de ensino. Logo, aqueles que generalizam e utilizam o discurso de que o Ensino Superior particular é mercadoria não conhecem a realidade das milhares de IES particulares brasileiras, tampouco o próprio Ensino Superior brasileiro.

Diante de um cenário de crise, os programas governamentais para a educação ajudam de fato o acesso à Educação Superior? Eles conseguirão manter-se no futuro?

A Educação Superior no Brasil tem se fortalecido, especialmente na última década, com o aumento do número de matrículas, expansão de campi universitários, fortalecimento da pesquisa e ampliação da mobilidade estudantil. Hoje, as universidades públicas não disponibilizam vagas suficientes para comportar a demanda de estudantes em idade universitária e trazem um perfil de ensino voltado para a academia e a pesquisa, enquanto as particulares focam a preparação para o mercado de trabalho. Vale ressaltar que, se não fossem as instituições particulares, o Brasil estaria ainda mais atrasado nas metas do PNE. Então, os programas de governo, como Fies, ProUni e Pronatec, são não só fundamentais, mas imprescindíveis para que a população tenha acesso a esse ensino, visto que, para muitos, é a única forma de cursar uma graduação.

A educação também passa pela vivência internacional. O que as IES privadas podem inovar com as experiências realizadas em outros países?

Grande parte das IES particulares já possuem programas de parceria com instituições internacionais para promover intercâmbio entre alunos, possibilitando a eles estudar fora do País e conhecer novos modelos de educação, novas culturas e pessoas. O intercâmbio possibilita a integração com povos completamente diferentes. Todo aluno que passa por essa experiência volta com uma nova visão, tanto do ponto de vista pessoal quanto do profissional.

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